Barato sai caro

ARTIGO: BARATO SAI CARO

 

O recente episódio do acidente com o elevador em Santos com 4 vítimas fatais (dezembro de 2019) levanta a questão:

– O que saiu errado?

– Será que os elevadores do meu edifício correm o mesmo risco?

 

Vamos analisar primeiro o que os elevadores de tecnologia moderna nos oferecem de segurança?

Os elevadores são compostos por vários conjuntos a saber:

1- O motor ou MAQUINA DE TRAÇÃO.

É um motor elétrico com um eixo onde fica também montado o freio que é um cilindro com duas sapatas de lona de freio parecido com o freio das bicicletas.

Estas sapatas ficam sempre frenadas pela ação de fortes molas, ou seja, se faltar luz, o freio fica frenado pelas molas.

Para abrir as sapatas e liberar o freio, existe um eletroímã que puxa estas molas e libera o movimento do eixo do motor para girar.

Mas esta liberação pode não acontecer se estas molas ou as sapatas estiverem travadas por corrosão ou desgaste.

Se as molas ou sapatas não liberarem o freio o motor vai forçar o movimento e desgastar as lonas com perigo delas não funcionarem mais, ficando lisas ou vitrificadas.

Para evitar isso, os freios possuem um interruptor elétrico que enquanto as sapatas não abrirem ele fica aberto para o motor não receber energia elétrica.  Esse interruptor só fechará o circuito se as sapatas abrirem fisicamente, encostarem nele e ligarem ele.

Segurança total!  Certo?

Se o técnico de manutenção fizer a limpeza e regulagem deste freio, sapatas e interruptor, observando se há algum desgaste.  Tudo OK.

Mas…

E se o técnico da empresinha fajuta, contratada a preço de banana, não teve nenhuma capacitação para fazer estas verificações e ajustes?

E se as sapatas e molas começarem a travar devido a corrosão e o interruptor do freio não deixar o motor ligar?  O elevador não vai atender os passageiros!

O porteiro ou sindico vão reclamar para a empresinha fajuta que vai enviar um técnico sem capacitação, que vai bulir com os mecanismos travados das sapatas e molas, mas não vai limpar a oxidação.

Ele consegue fazer as sapatas abrirem e vai embora.

No dia seguinte as sapatas travam novamente e chamam o técnico de novo…

Ele destrava e vai embora de novo.

Várias vezes trava e ele volta até que ele se enche e resolve eliminar o interruptor que não deixa o motor ligar. Vai embora satisfeito e o defeito fica “resolvido”.

Mas as lonas permanecem travadas e fechadas com o motor funcionando e gastando-as!

Até que chega o dia em que as lonas gastas não seguram mais a cabina cheia de passageiros no andar de parada.

A cabina começa a cair…

Mas, não há perigo!!!  O Freio de Emergência vai ser acionado automaticamente!!!

 

2- O FREIO DE EMERGENCIA:

 

O “SENSOR LIMITADOR DE VELOCIDADE” avisa quando a cabina estiver descendo (caindo) com velocidade acima do normal.

Sensor limitador de velocidade com martelo e mola

Sensor limitador de velocidade com martelo e mola

Este sensor é composto por uma pequena polia com um sulco por onde passa um cabinho de aço que desce até a cabina e fica fixo nela formando um laço fechado de modo que quando a cabina se move a polia gira, de acordo com a velocidade da cabina. (FOTO SENSOR)

Quando a cabina sobe a polia deste sensor gira no sentido anti-horário.  Quando desce, no sentido horário.

Para avisar quando a velocidade de queda passou da normal, existem 2 martelinhos grudados um de cada lado da polia que recebem batidas de pinos da polia em cada volta. Mas estes martelinhos não pulam muito pois tem uma mola que segura eles.

Mas se a velocidade de queda da cabina for grande os martelinhos vão pular demais abrindo totalmente.   E quando eles abrem totalmente eles travam a polia!!!

A polia do sensor travada não vai deixar a cabina puxar o cabinho e vai forçar o disparo do freio de emergência na cabina, que é uma cunha que saltará entre o trilho e a cabina, prendendo esta.

A cabina vai brecar rapidamente salvando os passageiros.

Mas… no litoral tem a maresia e estes martelinhos vão sofrer corrosão e travar.  Não vão pular se a cabina estiver caindo!!!  O freio de emergência não vai disparar!!!

Tudo porque a empresinha fajuta não testou, não limpou e nem lubrificou os martelinhos conforme pede a Norma e a Lei.

Só assinou a Vistoria Anual no papel…   Fez vista grossa…   pudera!

Por 90,00 por mês não tem como contratar bons técnicos e nem dá tempo de limpar e lubrificar…

Pois é:  O BARATO SAI CARO!!!